Eu e meus ‘faixas’

Ontem, dia 14, fui cobrir um evento pelo Jornal de Turismo, onde trabalho. Uma reunião-almoço que o Sindicato (patronal) de Hotelaria e Gastronomia de Porto Alegre (Sindipoa) ofereceu aos vereadores da capital.


Chegando lá, um diretor de um grande hotel de Porto Alegre – muito amigo do proprietário do jornal – de pronto me convidou a sentar na grande mesa com os nobres edis. Eu lá, cabeludo, de camiseta, comi entradas, uma paella, doces excelentes de sobremesa. Bacana, achei que só ia trabalhar.

Um bom número de vereadores compareceu, 22 no total. E ficou aquela coisa de confraternização. O tal do Brasinha é uma espécie de bonachão, piadista adorado por todos. Enquanto um dirigente do sindicato fazia uso da palavra e se enrolava para falar o sobrenome do vereador Válter Nagelstein, não resistiu e tascou-lhe:

– Nuggets, me vê um nuggets.

***

Mas a cosa não ficou só nisso. O vice-presidente do Sindipoa apresentou um power point com dados sobre o potencial turístico da cidade e depois até que aconteceu discussão frutífera. Os vereadores Adeli Sell e Sebastião Melo acreditam que o porto-alegrense acirra demais as discussões, partidariza-as. Os possíveis projetos para o Cais do Porto foram utilizados como exemplo.

Eu não discuto mais essa questão, cansei. Mas quando for para fazer, de fato, serei o primeiro a apoiar”, disse Sebastião Melo. Adeli fez coro à critica. “É preciso acabar com a ‘grenalização’ dos debates políticos em Porto Alegre”, diz, fazendo metáfora com o clássico Gre-Nal. Ambos também criticaram a morosidade de questões como projetos para orla.

Até aí nada demais. Quem me surpreendeu foi o vereador Beto Moesch. “Ser uma cidade que discute antes que se realizem transformações é uma característica positiva”, afirmou. Foi mais além, ressaltou que vários projetos para orla já foram feitos, como os calçadões de Ipanema e do Lami – feitos pela administração petista – “que encantam qualquer visitante”, além das quadras, reformas de banheiros e bebedores que a Pepsi-Cola fez entre o Anfiteatro Pôr-do-Sol e o Gasômetro.

O que me agradou mesmo em sua fala foi que ressaltou que muitas vezes Porto Alegre desconhece o potencial turístico que já tem. “O porto-alegrense não conhece Porto Alegre”, opinou. Concordo plenamente. E já não se sabe mais quem é do PT e quem é do PP.


Por fim, peguei uma carona com João Carlos Nedel e Adeli Sell, que foram se alfinetando de arreganho em todo o percurso. Sell se diz encantado com a cidade de Rosario, que considera parecida com Porto Alegre. Reitero que lá o rio Paraná é balneável, e há poucos prédios altos. Sell e Nedel garantem que com o Programa Integrado Sócio-Ambiental, o rio estará quase despoluído em 10 anos e plenamente balneável em cerca de 20 anos. A ver.

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10 Respostas para “Eu e meus ‘faixas’

  1. A fala do Beto Moesch vai ao encontro do que escrevi no último sábado no meu blog. O porto-alegrense simplesmente não conhece a própria cidade onde vive. E aí acha que é preciso pontais da vida para atrair turistas, quando basta mostrar o que a cidade (e só ela) já tem de bacana. Como os bares de Ipanema.

  2. Exato, o melhor exemplo disso é que o porto-alegrense se desloca 150 km para ir a um lugar feio, tendo Itapuã, que é um lugar lindo, ao lado.

  3. Eu tinha esquecido de citar Itapuã…
    Fui lá com amigos em janeiro de 2006 (e há horas falo de ir novamente com uma turma, mas nunca vamos, hehe). Tava um calor infernal, o ar condicionado do carro não dava conta. Mas mesmo assim valeu a pena: o lugar é realmente belíssimo. Muito melhor ir a Itapuã do que pegar free-way lotada e pedágios para tomar banho naquela água gelada do “nosso mar”.

  4. Itapuã é muito afudê. Aliás, nossa governadora fechou uma das praias para cortar gastos.

  5. Esse Prestes anda cada vez mais poderoso…

    hjfdkhdsfkjfds

    Parabéns pelo trabalho!

  6. uhasfudhsfdhasfduhiuhuhidhui

  7. Pingback: Beto Moesch: “O porto-alegrense não conhece Porto Alegre” « Cão Uivador

  8. Isso é muito verdade. Um exemplo é um amigo meu de Sta Maria que veio pra Porto Alegre e queria chegar no MARGS. Simplesmente, todas as pessoas que ele perguntou não sabiam explicar como chegar ao Museu. Não frequentar, td bem, cada um tem seus gostos. Mas não saber, já achei um absurdo. Fora as coisas boas e de graça que acontecem. Os bares escondidos e com história. tô há 7 anos aqui e tem mta coisa que ainda não vi. Tive em Curitiba esses dias e chamou a atenção a “falta” de moradores de rua e pedintes. Um amigo foi pro Rio e tb comentou que tu é bem mais abordado em Porto Alegre do que lá. E comecei a reparar e é em todas as partes, em todos os bairros se vê gente dormindo na rua, vendendo coisas e pedindo. Acho que tá na hora da prefeitura encarar o problema de frente. E não falo em albergues e reprassão, mas estudar um solução e até ver o pq no aumento no número.

  9. Bem por aí, Suzana. O tipo ideal porto-alegrense se limita a achar que não tem nada para fazer aqui, e aí adora shoppings e outros quetais.

    Oportuno comentares sobre os mendigos. Escreverei sobre impressões que tive acerca do tema, logo logo.

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